segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tem Concerto?

Tem Concerto?


Hoje ,mais de perto percebo que não é para concertar,se concertar;veremos os erros e não é para deixar vê os erros.
Sinto,triste que fidelidade não tem nada haver com carater,formação seja familiares ou profissionais.
Chego aos 30 anos como profissional de saúde, sem nenhuma crença hoje das minhas lutas aos serviços públicos,quem sabe posso repensar e retornar acreditar de novo.
Ou eles me fazerem acreditar peço desculpe que pensei que poderia trabalhar melhor,mais não é para trabalhar é para não trabalhar.Assim,vamos esperando a aposentadoria que um dia virá.

sábado, 24 de agosto de 2013

Médicos Cubanos



Médicos cubanos assustam?

Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o nosso sistema mercantil de saúde.

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha,  que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.

Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador  de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.Fonte:http://www.blogdoporfirio.com/2013/05/por-que-os-medicos-cubanos-assustam.html

domingo, 18 de agosto de 2013

Secretaria de Saúde realiza a 6ª Conferência Municipal de Saúde

Secretaria de Saúde realiza a 6ª Conferência Municipal de Saúde

Foi realizada hoje (15), em Passos, no Clube dos Servidores Municipais (Crasem), a 6ª Conferência Municipal de Saúde, que contou com a participação de aproximadamente 300 profissionais da área.
    Durante o período da manhã, o secretário municipal de Saúde, Lauro Eduardo de Oliveira, e a superintendente regional de Saúde, Kátia Rita Gonçalves, ministraram palestras sobre o funcionamento do sistema de saúde público municipal, apontando alguns problemas e fazendo sugestões sobre como resolvê-los no município. Após as palestras, foram realizadas oficinas de discussão e foram votadas propostas de melhorias na área.
    O secretário de Saúde, Lauro Eduardo de Oliveira, durante seu pronunciamento, falou sobre os objetivos da conferência e discorreu sobre a importância da contribuição da sociedade com a saúde pública do município. 

“Este é um momento de extrema relevância para a Secretaria Municipal de Saúde, pois é quando está sendo elaborado o Plano Plurianual de metas para o setor. Queremos ouvir a sociedade, acolher as demandas e as transformar em objetivos para serem executados nos próximos quatro anos.” Explicou Lauro de Oliveira.
    De acordo com o secretário municipal, a cidade teve grandes avanços na área de saúde desde que assumiu a pasta, há oito meses. Ele revelou que graças ao apoio fundamental de todos os servidores da área da saúde de Passos, houve uma melhoria na organização dos serviços, principalmente na questão da distribuição de medicamentos, que estava irregular e agora cumpre com todas as normativas. Lauro assumiu que a situação ainda não é a ideal, mas que está trabalhando para que a qualidade da saúde municipal possa progredir cada vez mais.
    O vice-prefeito, Ademir José da Silva, que representou na oportunidade o prefeito, Ataíde Vilela, agradeceu o empenho de todos os profissionais da área e disse que esta conferência é de suma importância para a rede de saúde pública do município. “Tenho certeza que desta conferência sairão grandes propostas que irão alavancar o sistema de saúde pública de Passos e consequentemente melhorar o atendimento. Estamos prontos para programar e operacionalizar as demandas levantadas nesta Conferência.” Conclui o vice-prefeito.

domingo, 11 de agosto de 2013

Cronograma da Vl Conferência Municipal de Saúde


                    Cronograma  Vl Conferência Municipal de Saúde.


Proposta de Cronograma da VI Conferência Municipal de Saúde
7h 30min – Credenciamento e recepção dos participantes
Participação da pianista: Júlia Andrade
Coffe Break
8 h 30min – Início do evento
- Composição da mesa / leitura do texto inicial / leitura do Regimento Geral /
Hino nacional / apresentação artística – Caps
9 h 40min – Palestra
Exma Sra. Kátia Rita Gonçalves
Tema central da conferência
10h 30min – Palestra
Exmo Sr. Lauro Eduardo de Oliveira
11h 30min – Almoço
13 horas – Formação dos grupos de discussão
- Seis grupos: seis eixos estratégicos conduzidos pelos coordenadores
- Discussão das propostas (pré – conferências), relatório das propostas.
15 horas – apresentação das propostas por grupo (plenária)
16 horas – Votação das propostas
16h 30min – Plenária final / leitura do relatório final/Encerramento

Coffe Break

terça-feira, 6 de agosto de 2013

*Falsidade*

* Falsidade *

Atrás de uma tela de um computador,todos podem se sentir,mais  homem ou mulher;principalmente aos que entendem pouco do mecanismo desta Internet.Mais,hoje a internet não é caminho sem dono.Tem dono,url,provedores principalmente o que pagamos e além IP.Pode acessar em casa,serviço,móvel,la house etc.Está para ser desmascarado e vai responder e foi rastreadaou rastreado.A Folha da Manhã em menos de 12 horas descobriu o falso emails,segura malandro ou malandra sua casa vai cair como diz na doçura popular.
Dia 06 de agosto dia do mês de cachorro louco,uma pessoa da nossa Passos,se achando ou por falsa personalidade,enviou um emails para redação da Folha da Manhã com o seguinte dizeres: Saúde Venho através desta mostrar minha indignação sobre os atendimentos dos médicos de passos no SUS no dia 05/08/13. Mesmo não existindo nenhum decreto no que se refere a ponto facultativo ou coisa parecida, a grande maioria dos médicos dos ambulatórios e da policlínica São Lucas não foram trabalhar: eles emendaram o final de semana ate o feriado por conta própria. E assim o povo de Passos perde mais uma vez
Ângela Vaz Lopes – Passos/MG E-mail: angelavaz1@bol.com.br
Dia 07 de agosto a Folha da Manhã diz:Saúde

N. da R. – A carta publicada ontem nesta coluna, denominada “Saúde”, não é de autoria da nominada. O e-mail enviado também foi falsificado.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

pensando pelos outros


               Pensando pelos outros

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
 Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
 Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha:
Ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
  E assim sobreviveram.Moral da História: O melhor do relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades,"As pessoa podem ter dúvidas do que você diz; mas nunca do que você faz!"
visualizações pelo site meu até o momento:6307: http://mais.uol.com.br/view/1235753 imagem tirada da Internet.

domingo, 7 de julho de 2013

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO

O que tem a ver o assédio moral com a saúde? A explicação é simples. É uma ação intolerante, e produtora de muito adoecimento no ambiente de trabalho.  Ele "mexe" com muitos sentimentos pessoais, e pode desestruturar de forma irreversível a vida do trabalhador assediado. 
Segundo  Luiz Salvador (advogado trabalhista), o assédio moral, também conhecido como hostilização no trabalho, ou assédio psicológico no trabalho, também conhecido como "psicoterror, mobbing, bullying ou harcèlement moral", é uma doença profissional que pode levar à incapacidade permanente e até à morte.
Compartilho um texto extraído do blog do Conselho Regional de Saúde Núcleo Bandeirante-DF, sobre o assunto.

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO
Freqüentemente vemos a autonomia ser “confundida” com autogoverno, e o seu “santo nome” ser deturpado e utilizado para justificar a prepotência e o unilateralismo. Nestas situações, sujeitos individuais ou coletivos agem, a partir do poder que possuem ou controlam á revelia de necessidades de outros sujeitos e de coletivos. Autonomia não é, em hipótese alguma, isso; ela diz respeito á possibilidade de automover/agir dentro “nomias” /ético-estéticos, técnicas/administrativas de uma instituição/organização de um estado de direito de um determinado país/mundo. Autonomia deve ser entendida como maior capacidade de compreender e de agir sobre si mesmo e sobre o contexto, com protagonismo, com maior capacidade reflexiva de estabelecer compromisso e contratos com os outros.  A validação dos arranjos organizacional do trabalho em saúde deve ser feita com intuito de garantir sua tríplice finalidade: produção de Saúde (eficácia e efetividade da atenção), produção de autonomia, bem estar e valorização dos trabalhadores e sua sustentabilidade e reprodução (eficiência e legitimação ético política).
Campos, (1997, 2000). O processo de trabalho em saúde envolve especialmente o que se concebe como trabalho “vivo”, “vitalidade” que deve se configurar também como força “motriz” para mobilizar os sujeitos/equipes entorno da reflexão/intervenção do seu próprio saber. Segundo Foucault (1979), as instituições de maneira geral são de instâncias diciplinarizadora de atitude e comportamentos, os próprios agentes que os conduzem (no caso os trabalhadores da saúde) estão inseridos sob esse “risco” de terem seus “corpos e mentes, diciplinarizados, docilizados”, mas entendemos que estão principalmente permanentes de luta com /contra isso, de confronte de poderes/ e esse é um conflito vital, do qual resulta maior ou menor alienização, maior ou menor autonomia. Dentre as causas freqüentes que promove a diminuição da autonomia, sofrimento e adoecimento no trabalhador de saúde podemos citar o Assédio Moral, deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas) que se caracterizam pela repetição por um longo tempo de duração de um comportamento hostil que um superior ou colega(s) desenvolve(m) contra um individuo que apresenta como reação. Um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura. CNTS, (2011).
Assédio Moral cita o autor, [...] uma conduta abusiva (gestos, palavras, comportamentos, atitudes...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou integridade psíquica ou física de uma pessoa, pondo em perigo sua posição de trabalho ou deteriorando o ambiente de trabalho, Hirigoyen (2000).
A prática é reconhecida por diversos órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS) que a define como “o uso deliberado de força e poder contra uma pessoa, grupo ou comunidade que causa danos físicos, mentais e morais através de poder ou força psicológica gerando uma atitude discriminatória e humilhante”.
CONDUTAS QUE CARACTERIZAM O ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO
- Dar instruções confusas e imprecisas;
- Bloquear o andamento do trabalho alheio;
- Atribuir erros imaginários;
- Ignorar a presença de funcionários na frente de outros;
- Pedir a execução de tarefas sem interesse;
- Fazer critica em público;
- Sobrecarregar o funcionário de trabalho;
- Não cumprimentar e não dirigi a palavra ao empregado;
- Impor horários injustificados;
- Fazer circular boatos maldosos e calúnias sobre a pessoa;
- Forçar demissão;
- insinuar que o funcionário tem problemas mentais ou familiares;
- Transferir o empregado de setor ou de horário, para isolá-lo;
- Não lhe atribuir tarefas;
- Retirar seus instrumentos de trabalho (telefone, fax, computador);
- Agredir preferencialmente quando está sós com o assediado;
- Proibir os colegas de falar e almoçar com pessoa. CNTS, (2011).
A teoria do assédio moral baseia-se no direito á dignidade humana, fundamento da República Federativa do Brasil, como prevê o artigo 1º inciso III, da Constituição. O artigo 136-A do novo Código Penal Brasileiro institui que assédio moral no trabalho é crime, com base no decreto - lei n° 4.742, de 2001. O Congresso Nacional então decreta no artigo 1° - O decreto lei n° 2.848, de 07 de dezembro de 1940, que no artigo 136- A, depreciar, de qualquer forma, e reiteradamente, a imagem ou o desempenho de servidor público ou empregado, em razão de subordinação hierárquica funcional ou laboral, sem justa causa, ou tratá-lo com rigor excessivo, colocando em risco ou afetando sua saúde física ou psíquica pode acarretar uma pena de um a dois anos de reclusão. Ainda no mesmo artigo consta que desqualificar, reiteradamente, por meio de palavras, gestos ou atitudes, a auto-estima, a segurança ou a imagem do servidor público ou empregado em razão de vínculo hierárquico funcional ou laboral pode causar a detenção de três meses a um ano e multa. (Fonte: http://www.ciranda.net/brasil/article/crime-de-assedio-moral-no-trabalho).
Maura Lúcia, (2012).

sábado, 8 de junho de 2013

Estudantes e atiradores do TG plantam árvores na Biquinha


Estudantes e atiradores do TG plantam árvores na Biquinha


Alunos da Escola Municipal Amélia Jabace e atiradores do Tiro de Guerra de Passos participaram de uma ação da Prefeitura em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). O evento foi realizado na área da “Nascente da Biquinha”, no Bairro da Penha, com o plantio de mudas de três espécies nativas para proteger a nascente de água e também para ajudar na recuperação do local que é uma área verde.
    A ação ambiental foi coordenada pelo Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento da Prefeitura, com participação de outros órgãos e instituições.
    Segundo a diretora do departamento, Márcia Sulmonetti Martins, foram plantadas mudas de ingá, espécie de árvore típica de áreas alagadas, oiti e figueira, que são apropriadas para áreas verdes. Os estudantes e os atiradores também fizeram a cata manual de lixo que degrada o local, como garrafas e sacolas plásticas.


    Nos lotes do entorno da área em que fica a Nascente da Biquinha, homens e máquinas do Departamento de Limpeza, da Secretaria de Obras, Habitação e Serviços Urbanos também fizeram uma grande faxina, por meio de roçada da vegetação.
    A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente na Nascente da Biquinha teve a participação também do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), IEF (Instituto Estadual de Florestas) e voluntários da comunidade da Penha.
 

Aprendendo e Amadurecendo.

Aprendendo e Amadurecendo.

       Aprendendo amadurecendo,não é mudar de personalidade e sim evoluir para melhor.E tem uma pessoa que surpreendeu - me.O seu amadurecimento vejo a cada dia como sabedoria,mesmo que a sabedoria é para anos.Mais,fica aqui o meu reconhecimento a essa pessoa e espero que sua evolução possa ser cada dia melhor e que Deus ilumine o bastante. 

sábado, 1 de junho de 2013

Gastão Wagner

Gastão Wagner, professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Unicamp, apresenta evidências sanitárias, indicadores econômicos e contextos políticos que contribuem para a discussão sobre a privatização dos sistemas nacionais de saúde.

TI - Como você avalia a forma de gerenciamento e de financiamento atual do SUS?
Gastão Wagner - O gerenciamento do SUS tem vários problemas. Alguns são decorrentes do federalismo brasileiro, da dificuldade de integração entre os municípios, os estados e a União, entre o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais. A autonomia faz com o Ministério tenha algumas prioridades, e os estados e municípios, outras. A tradição clientelista do Estado brasileiro é outro problema sério. Os governantes dos vários níveis da federação fazem alianças com partidos, com grupos políticos, e a moeda de troca costuma ser cargos e diferentes interesses. Isso vem acontecendo no SUS, o que faz com que ele seja formado não por pessoas com capacidade para trabalhar com saúde, mas por aqueles que têm representatividade nos partidos. O terceiro problema é que não houve uma reforma administrativa importante, então as normas da administração direta do Estado brasileiro foram transportadas para o SUS sem nenhuma adaptação, sem considerar as especificidades da saúde. Isso tem emperrado e dificultado licitações, reposições, compra de produtos, contratação de pessoas. Quanto ao financiamento, há um problema grave: nós não temos recursos necessários para o conjunto de responsa-bilidades sanitárias do SUS. O que temos é um subfinanciamento crônico e não há disposição política dos vários governos de fazer um investimento maior no SUS. Assim se faz a gestão da miséria, se é obrigado a priorizar alguns programas, algumas integrações, em detrimento de outros. A sus¬tentabilidade do SUS até agora tem se dado devido a um grau muito grande de exploração dos profissionais do SUS: são mal remunerados, não têm carreira, não têm estabilidade, não têm uma política de aposentadoria adequada. Então o subfinancia¬mento tem consequências muito negativas.
Uma dessas consequências seria a não manutenção e construção de um SUS público e de qualidade, como se espera?
Gastão Wagner - Esses problemas crônicos reforçam o discurso da inviabilidade do SUS como um sistema público. O município que começa a expandir o SUS no caminho da integralidade passa a ter problemas de prestação de contas por gastar muito com re-cursos humanos. Aí vem a justificativa das terceirizações, da contratação de prestação direta de serviços por entidades privadas, o que aumenta a fragmentação e dificulta a gestão do SUS. Além disso, está na gênese do SUS uma dependência muito grande do setor privado. Uma área da atenção à saúde é privada, que é a saúde suplementar, as cooperativas médicas. Perto de 70% da capacidade hospitalar do SUS é comprada através de contratos e convênios de hospitais privados e filantrópicos. Então o SUS, ao contrário do sistema português, espanhol, inglês e canadense, grandes referências para o Brasil, se apoiou no sistema privado. Por isso, apesar de o Brasil ter, legal¬mente, um sistema público de saúde, o gasto público é menor que o gasto privado. Nos países que têm sistemas nacionais de saúde, o gasto público de saúde é de 70% a 90%. No Brasil, o mercado privado tem 54% do recurso financeiro para gastar em saúde e atende apenas 25% da população, com um padrão de atendimento igual ou pior ao do SUS. Já o SUS tem 46% e atende no mínimo 70, 75% da população, além de fazer muitas coisas para quem tem saúde suplementar. Então, é uma aberração! Essas soluções de mercado custam mais caro e têm uma eficácia menor. A Inglaterra gasta metade do que os EUA, com resultados muito melhores, se tomarmos a expectativa de vida, o acesso e a inclusão.
Mas estão acontecendo mudanças significativas no sistema de saúde da Inglaterra, por exemplo, a caminho da privatização. Por que acontecem se economicamente não valem a pena?
Gastão Wagner - A questão é política. A política não se faz com base em evidências econômicas e técnicas apenas, mas sim com base em interesses de luta, e os interesses não são homogêneos. Na Europa nós temos evidências sanitárias a favor dos sistemas nacionais de saúde. Só que em 2008, com a crise financeira, o estado europeu pegou recurso próprio para salvar os bancos, pra pagar juros, etc. Mas na hora de corrigir o déficit dos estados, eles não cortam o pagamento de juros, não repassam ao setor financeiro, e estão cortando em setores como os sistemas nacionais de saúde, os sistemas educacionais, com cortes horizontais de salários, de investimentos, o que tira, da maior parte da população, direitos e benefícios que são históricos. Isso é possível porque os partidos que apoiaram as políticas públicas historicamente ao longo do século XX traíram a história deles mesmos. Então é uma postura conservadora e que tem que ser enfrentada com discursos, com ação política, técnica e legislativa, mas boa parte dos intelectuais da saúde coletiva brasileira estão caindo nesse “canto de sereia”, e aceitando esse discurso de que o SUS não é viável.
E quais são as ameaças reais que o SUS sofre?

Gastão Wagner - Há uma comissão do Senado agora propondo a reforma do SUS, a criação de um sistema misto no Brasil, uma integração entre a saúde suplementar, o setor privado, o mercado e o SUS. Quer tornar a liquidação do SUS oficial. Essa comissão tem a maioria de partidos que no passado apoiaram o SUS. É como na Inglaterra, nós vamos ter que lutar contra isso. A presidenta Dilma fez uma reunião com algumas empresas da área de saúde suplementar, e saíram rumores de que haveria um subsídio, que o Estado brasileiro passaria a comprar serviços, que daria isenção fiscal, mais estímulos ainda a esse setor de mercado, enquanto no SUS falta dinheiro, falta recurso e temos um subfinanciamento. Houve uma reação muito forte.
De quem partiu essa reação?
Gastão Wagner - São profissionais de saúde, suas famílias, e milhões de brasileiros que têm uma dependência muito grande do SUS e que passaram a apostar no sistema. A intelectualidade e algumas entidades profissionais também estão fazendo a defesa do financiamento da Atenção Bá¬sica, do crescimento do SUS, da diminuição do clientelismo, do partidarismo, do desvio de recursos, da mudança da formação dos professores, dos estudantes. Essa agressão aos sistemas nacionais de saúde está obrigando o res¬surgimento do movimento sanitário, com a mesma composição. Nos falta agora uma plataforma unificada, como a 8ª Conferência [Nacional de Saúde] deu naquele tempo. O custo do setor privado é muito alto, é o dobro. Como eles vão estender isso para toda a população brasileira? A exclusão do SUS significa deixar metade, 60% da população brasileira sem acesso.
E qual é a contraproposta à privatização?
Gastão Wagner - É fazer o que já está definido. Nós já temos uma proposta com relação ao modelo de atenção: o papel da Atenção Básica, a ideia de funcionar em rede, com atendimento de equipe multiprofissional, uso racional de medicamentos, e com um conjunto de diretrizes. No financiamento também temos uma proposta: dobrar os recursos do SUS, tirar recurso de outro tipo de investimento e investir na saúde. Agora, onde há mais polêmica e não há um projeto único, é no modelo de gestão. A gente têm a gestão participativa, mas até onde vão os usuários no controle? Há consenso de que os cargos de gestão do SUS, exceto ministro, secretário e assessores, não deveriam ser de confiança. A gente deveria fazer concursos internos, com mandato, como as universidades fazem. E como é que se integra o sistema federativo brasileiro, se a gente municipalizou demais, fragmentou demais? Que reforma vamos fazer na administração direta? Os sistemas nacionais nasceram para tirar a atenção à saúde do mercado, senão ela se degrada, encarece e medicaliza. Isso é uma conclusão que tem 100 anos, nós temos evidências disso.
Maio 2013Compartilho entrevista quentinha da Telessaúde Informa

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe

Mãe referencia a música encontra-se no final da edição:Cantada por Lais de Oliveira.